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Dores de crescimento no jovem desportista
O Guia para Pais sobre Sever e Osgood-Schlatter
Com o aumento da intensidade competitiva no desporto juvenil, é cada vez mais comum ouvirmos jovens atletas queixarem-se de dores persistentes. Muitas vezes, estas dores acabam por ser desvalorizadas e identificadas como “dores de crescimento”, mas podem tratar-se de condições específicas que exigem atenção: a Doença de Sever e a Doença de Osgood-Schlatter.
O que são estas patologias?
Durante a puberdade, os ossos crescem a um ritmo mais acelerado do que os músculos e tendões. Isto cria um aumento da tensão nos pontos onde os tendões se inserem no osso, especificamente nas placas de crescimento (zonas de cartilagem ativa). No desporto de impacto, a repetição de saltos e corridas agravam estas “dores de crescimento”.
1. Doença de Sever (Apofisite do Calcâneo)
É a principal causa de dor no calcanhar em jovens entre os 8 e os 12 anos de idade.
- Onde dói? Na parte posterior do calcanhar.
- Contexto desportivo: Comum em desportos com muito impacto ou uso de calçado com pouco amortecimento (chuteiras de futebol, sapatilhas de ginástica).
- Sinal de alerta: A criança evita apoiar o calcanhar no chão ou coxeia após o treino.

2. Doença de Osgood-Schlatter
Afeta o joelho e é mais frequente entre os 10 e os 15 anos, especialmente em jovens que praticam desportos que envolvem saltos e remates.
- Onde dói? Na “protuberância” óssea logo abaixo da rótula (tuberosidade anterior da tíbia).
- Contexto desportivo: Muito frequente no futebol, basquetebol e voleibol.
- Sinal de alerta: Aparecimento de um alto (saliência) doloroso na zona inferior do joelho e dor ao agachar ou saltar.

O que fazer? Será necessário parar de praticar desporto?
O dogma antigo do “repouso absoluto” está ultrapassado. A evidência atual demonstra que a gestão de carga é a chave para a recuperação.
O papel do fisioterapeuta no desporto juvenil:
- Controlo de Sintomas: Utilização de técnicas e tecnologias como a Tecarterapia para reduzir a dor e desconforto e acelerar a recuperação tecidular.
- Educação e Gestão de Carga: Ensinar o jovem e os pais a monitorizar a dor permitindo ajustes constantes. O objetivo é manter o atleta ativo, ajustando o volume e a intensidade do treino em vez de uma paragem total. Isto vai ajudá-lo física e psicologicamente.
- Exercício Terapêutico: Foco no alongamento das cadeias musculares “tensas”, com dificuldade em acompanhar o crescimento ósseo e no fortalecimento específico para proteger as zonas de tração.
- Análise Biomecânica: Avaliar se o gesto desportivo, a técnica de corrida ou o tipo de calçado poderão estar a gerar compensações biomecânicas prejudiciais que potenciam a sobrecarga nas placas de crescimento.
Proteger o futuro do jovem atleta
As doenças de Sever e Osgood-Schlatter são autolimitadas (desaparecem quando o crescimento ósseo termina), mas se não forem bem acompanhadas e geridas, podem levar ao abandono prematuro da prática desportiva.
Não ignore as queixas do seu filho. As “dores de crescimento” são frequentes, mas…
Uma avaliação e intervenção precoce é a melhor forma de garantir que ele continua a correr, saltar e evoluir com saúde.
Na Fisiclinic, encontrará uma equipa experiente e dedicada, pronta para a acompanhar com conhecimento e os cuidados mais avançados na área da Fisioterapia Desportiva.
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Inês Costa (OF 11290)
Fisioterapeuta Especializada em Fisioterapia Desportiva
Bibliografia:
Brumitt, J., & Cuddeford, T. (2015). Current concepts of muscle and tendon adaptation to strength and conditioning. International Journal of Sports Physical Therapy, 10(6), 748–759.
Gabbett, T. J. (2016). The training-injury prevention paradox: Should athletes be training smarter and harder? British Journal of Sports Medicine, 50(5), 273–280.
Knapik, J. J. (2016). Osgood-Schlatter Disease. Journal of Special Operations Medicine, 16(4), 114–115.
Neuhaus, C., et al. (2021). Osteochondrosis Dissecans and Traction Apophysitis in Young Athletes. Orthopedic Reviews, 13(2).
Scharfbillig, R. W., Jones, S., & Scutter, S. D. (2008). Sever’s Disease: What does the literature really tell us? Journal of the American Podiatric Medical Association, 98(3), 212–223.
Vreugd, S. T., et al. (2022). Management of Traction Apophysitis in Adolescent Athletes: A Systematic Review. Sports Medicine – Open.


