O papel estratégico da Fisioterapia no Padel

O padel tornou-se um dos desportos mais populares da atualidade. A sua natureza social, a curva de aprendizagem rápida e a intensidade do jogo cativam milhares de praticantes todos os dias. No entanto, o aumento exponencial de adeptos da modalidade também levou a um aumento proporcional de procura de fisioterapia especializada no desporto para tratar as lesões frequentes.

Como desporto de impacto, com mudanças de direção bruscas e movimentos repetitivos, o padel é um desporto de elevada exigência física.

TOP 3 das lesões mais comuns no Padel

Esta modalidade apresenta um perfil de lesões específico, onde as patologias por sobrecarga (overuse) superam as traumáticas. Estudos indicam que o cotovelo e o ombro são as zonas de maior risco no membro superior.

1. Epicondilalgia Lateral (“Cotovelo de Tenista/Padelista”)

É, sem dúvida, a “estrela” das clínicas. Resulta da inflamação ou degeneração dos tendões extensores do punho, muitas vezes causada por uma técnica deficiente no backhand ou por um grip inadequado. De acordo com Lucena et al. (2022), a espessura da raquete é um fator determinante na tensão mecânica exercida sobre o epicôndilo

2. Patologias do Ombro

O gesto do smash e da bandeja exige uma amplitude extrema de rotação externa e uma estabilização escapular exímia. A compressão das estruturas da coifa dos rotadores é uma queixa recorrente em jogadores que abusam do volume de jogo sem o devido reforço muscular.

3. Lesões do Membro Inferior: O Complexo do Gémeo e Tendão de Aquiles

As travagens bruscas e os arranques explosivos colocam uma carga enorme na cadeia posterior. O “estalido” característico na zona da sapatilha – o chamado sinal da pedrada – é um motivo frequente de urgência, indicando muitas vezes roturas musculares ou tendinosas.

 

A intervenção do Fisioterapeuta: muito além do alívio da dor

No contexto clínico, o papel do fisioterapeuta não se limita à aplicação de modalidades passivas. A intervenção é estruturada em três pilares fundamentais

1. Diagnóstico Diferencial e Gestão de Carga

O primeiro passo é entender a origem da lesão: Será falta de mobilidade no tornozelo que está a sobrecarregar o joelho? Ou uma instabilidade lombar que compromete a força do ombro? O fisioterapeuta avalia o corpo como uma unidade funcional, ajustando a carga de treino para que o tecido recupere sem que o atleta perca a sua condição física geral (princípio da carga ótima). Como refere Gabbett (2016), o segredo da prevenção não está no repouso absoluto, mas sim na gestão da carga ótima de treino. Esta abordagem permite que o tecido lesionado recupere mantendo a sua capacidade funcional.

2. Terapia Manual e Tecnologia de Ponta

Utilizamos técnicas de terapia manual para restaurar a mobilidade articular e manipular tecidos moles. Em contexto clínico, isto é frequentemente complementado com tecnologia avançada:

  • Tecarterapia: Potencia a cicatrização e regeneração dos tecidos.
  • Ondas de Choque: Tem demonstrado eficácia clínica em casos de epicondilalgia crónica.

 

Exercício Terapêutico e Retorno ao Court

A fase final, e a mais importante, é a reabilitação funcional. O fisioterapeuta desenha protocolos específicos de:

  • Fortalecimento excêntrico é fundamental na reabilitação de tendinopatias, garantindo que os tendões suportam as forças de desaceleração do jogo;
  • Treino proprioceptivo;
  • Correção biomecânica do gesto técnico, idealmente em articulação com o treinador de padel;

Garantindo que as estruturas suportam as forças de desaceleração típicas do padel.

 

Prevenir é o melhor remate

O fisioterapeuta é o parceiro estratégico do jogador de padel. Mais do que “curar”, o nosso objetivo é otimizar a performance e garantir a longevidade na modalidade. Se sente um desconforto persistente após o jogo ou aquela “picada” que não desaparece, não ignore os sinais do seu corpo. A intervenção precoce é a diferença entre uma paragem de uma semana ou de vários meses fora dos campos.

Mantenha-se em campo, com saúde e máxima performance!

Na Fisiclinic, encontrará uma equipa experiente e dedicada, pronta para a acompanhar com conhecimento e os cuidados mais avançados na área da Fisioterapia Desportiva.

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Inês Costa (OF 11290)
Fisioterapeuta Especializada em Fisioterapia Desportiva

 

 

Bibliografia:
Brumitt, J., & Cuddeford, T. (2015). Current concepts of muscle and tendon adaptation to strength and conditioning. International Journal of Sports Physical Therapy, 10(6), 748–759.
Clijsen, R., et al. (2019). Does capacitive-resistive radiofrequency therapy (TECAR) improve performance and recovery? A systematic review. Healthcare, 7(4), 120.
Gabbett, T. J. (2016). The training-injury prevention paradox: Should athletes be training smarter and harder? British Journal of Sports Medicine, 50(5), 273–280.
García-Fernández, P., et al. (2021). Injury profile of professional padel players: A systematic review. International Journal of Environmental Research and Public Health, 18(24), 13343.
Lucena, J. R., et al. (2022). Prevalence of epicondylalgia in padel players and its relationship with technical and material factors. Journal of Sports Medicine and Physical Fitness, 62(10), 1350–1358.
Mani-Babu, S., et al. (2015). The effectiveness of extracorporeal shock wave therapy in lower limb tendinopathy: A systematic review. American Journal of Sports Medicine, 43(3), 752–761.
Sánchez-Alcaraz, B. J., et al. (2020). Analysis of injury prevalence, injury rate, and injury characteristics in padel players. International Journal of Environmental Research and Public Health, 17(7), 2235


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